top of page

"O pote rachado" - Sobre nossas imperfeições



São muitas as nossas culpas. Mas todas têm uma mesma fonte: a rejeição daquilo que percebemos como imperfeições.


E por falar em imperfeição, eu tenho aqui uma fábula pra dividir com você. Ela fala de um aguadeiro, um homem que ganhava a vida fornecendo água na casa de um senhor, na Índia antiga.


Todos os dias, o aguadeiro andava quilômetros carregando nos ombros uma vara com um pote de barro em cada ponta. Um dos potes estava rachado e deixava vazar água pelo caminho. Quando o aguadeiro chegava à casa de seu senhor, o pote rachado estava com água pela metade, enquanto o outro, que era perfeito, estava sempre cheio. O aguadeiro então recebia o pagamento por ter fornecido um pote e meio de água


O pote rachado se sentia culpado por derramar água pelo caminho. Por sua causa, o aguadeiro recebia menos dinheiro. Um dia, não suportando mais essa culpa, pediu perdão por sua imperfeição.


O aguadeiro ouviu comovido o pedido de perdão e respondeu ao pote rachado: amanhã, repare nas flores pelo caminho até a casa do senhor.


O pote rachado prestou atenção no caminho e viu realmente muitas flores. Mas depois de mais uma entrega de água pela metade, ele continuava se sentindo culpado e de novo pediu perdão ao aguadeiro. E este falou: 'Você reparou que só há flores do seu lado do caminho, e não do lado do outro pote? Pois eu joguei as sementes daquelas plantas, e você as tem regado por todos esse tempo. Se não fosse pela água que você derrama todo dia, as flores não estariam ali.'


Somos como potes rachados. Os nossos erros, as nossas falhas, nossas insuficiências e contradições também podem fazer florescer algo bom: humildade, paciência, autoaceitação, compaixão.

A imperfeição é própria da condição humana. Mas a culpa não é obrigatória, é opcional. E não é definitiva, pode ser dissolvida pelo autoperdão.

Que possamos nos perdoar pelas nossas imperfeições. E por amor, não por culpa, reparar os nossos erros e seguir em busca do melhor para nós.


Trecho do Autoconsciente episódio 67 - Culpa




bottom of page